Crônicas 1

Características de Crônica:

-Ligada à vida cotidiana;
-Narrativa informal,familiar,intimista;
-Uso da oralidade na escrita : linguagem coloquial;
-Sensibilidade no contato com a realidade;
-Síntese;
-Uso do fato como meio ou pretexto para o artista exercer seu estilo e criatividade;
-Dose de lirismo;
-Natureza ensaística;
-Leveza;
-Diz coisas sérias por meio de uma conversa fiada;
-Uso so humor;
-Brevidade;
-É um fato moderno:está sujeita à rápida transformação e à fugacidade da vida moderna.


O que é crônica?

Crônica é uma narração, segundo a ordem temporal. O termo é atribuído, por exemplo, aos noticiários dos jornais, comentários literários ou cientificos, que preenchem periodicamente as páginas de um jornal.

Crônica é o único gênero literário produzido essencialmente para ser veiculado na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas de um jornal. Quer dizer, ela é feita com uma finalidade utilitária e pré-determinada: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade entre o escritor e aqueles que o lêem.

Características
A crônica é, primordialmente, um texto escrito para ser publicado no jornal. Assim o fato de ser publicada no jornal já lhe determina vida curta, pois à crônica de hoje seguem-se muitas outras nas próximas edições. Há semelhanças entre a crônica e o texto exclusivamente informativo. Assim como o repórter, o cronista se inspira nos acontecimentos diários, que constituem a base da crônica. Entretanto, há elementos que distinguem um texto do outro. Após cercar-se desses acontecimentos diários, o cronista dá-lhes um toque próprio, incluindo em seu texto elementos como ficção, fantasia e criticismo, elementos que o texto essencialmente informativo não contém. Com base nisso, pode-se dizer que a crônica situa-se entre o Jornalismo e a Literatura, e o cronista pode ser considerado o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia. A crônica, na maioria dos casos, é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio escritor está "dialogando" com o leitor.
                                 

Crônicas do Livro sobre:



 Biografia-Rubem Braga
Rubem Braga nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, ES, em 1913. Considerada diversas vezes um gênero literário inferior, a crônica é uma modalidade que atinge, no Brasil, os melhores níveis qualitativos possíveis. Muitos dos ficcionistas e poetas nacionais mais respeitados cultivam esse gênero que, da efemeridade das páginas jornalísticas, saltam para os livros, ganhando uma perenidade merecida. Rubem Braga é um caso singular: ele foi o único escritor a se dedicar exclusivamente à crônica e, por essa arte, ser considerado escritor maior. Tendo sido um dos primeiros cronistas a receber influências modernistas, ele soube aliar as descobertas vocabulares e sintáticas do movimento a uma escrita que se queria calcada nos melhores valores da tradição, sem, com isso, retroceder à gramática portuguesa do princípio do século. Num momento de perda tanto das idealizações religiosas quanto tecnológicas, pode-se dizer que é justamente esse desencantamento do mundo uma das principais características do autor, que fundamentou sua prosa numa poética capaz de transfigurar o menor dos acontecimentos em uma experiência das mais significativas.
 Faleceu no Rio de Janeiro em 1990


                     



Fernando Sabino

     Fernando Tavares Sabino, filho do procurador de partes e representante comercial Domingos Sabino, e de D. Odete Tavares Sabino, nasceu a 12 de outubro de 1923, Dia da Criança, em Belo Horizonte.Em 1930, após aprender a ler com a mãe, ingressa no curso primário do Grupo Escolar Afonso Pena, tendo como colega Hélio Pellegrino, que já era seu amigo dos tempos do Jardim da Infância. Torna-se leitor compulsivo, de tal forma que mais de uma vez chega em casa com um galo na testa, por haver dado com a cabeça num poste ao caminhar de livro aberto diante dos olhos. Desde cedo revela sua inclinação para a música, ouvindo atentamente sua irmã e o pai ao piano.
   Em 1934, entra para o escotismo, onde permanece até os 14 anos.  Disse ele em sua crônica "Uma vez escoteiro":"Levei seis anos de minha infância com um lenço enrolado no pescoço, flor-de-lis na lapela e pureza no coração, para descobrir que não passava de um candidato à solidão. Alguma coisa ficou, é verdade: a certeza de que posso a qualquer momento arrumar a minha mochila, encher de água o meu cantil e partir. Afinal de contas aprendi mesmo a seguir uma trilha, a estar sempre alerta, a ser sozinho, fui escoteiro — e uma vez escoteiro, sempre escoteiro".
   Com 12 anos incompletos, em 1935, torna-se locutor do programa infantil "Gurilândia" da Rádio Guarani de Belo Horizonte. Freqüenta o Curso de Admissão de D. Benvinda de Carvalho Azevedo, no qual adquire conhecimentos de gramática que lhe serão muito úteis no futuro em sua profissão.
   Em 1938, ajuda a fundar um jornalzinho chamado "A Inúbia" (mesmo sem saber exatamente o que isso vem significar) no Ginásio Mineiro.
   Nadador, em 1939, bate vários recordes em sua especialidade: o nado de costas.   Aprende taquigrafia, em 1940, para escrever mais depressa. Começa a ler, com grande obstinação, os clássicos portugueses a partir dos quinhentistas Gil Vicente e João de Barros, entre outros, até os romancistas como Alexandre Herculano, Almeida Garrett e Camilo Castelo Branco. Antes de chegar a Eça de Queiroz e a Machado de Assis, aos 17 anos, está decidido a ser gramático. Escreve um artigo de crítica sobre o dicionário de Laudelino Freire, que tem o orgulho de ver estampado no jornal de letras "Mensagem", graças ao diretor Guilhermino César, escritor mineiro que se torna amigo de Fernando Sabino e seu grande incentivador. João Etienne Filho, secretário de "O Diário", órgão católico, é outro a estimulá-lo no início de sua carreira.  Nele publica artigos literários, juntamente com Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino, formando com eles um grupo de amigos para sempre.
    Em 1942, é admitido como funcionário da Secretaria de Finanças de Minas Gerais e dá aulas, nas horas vagas, de Português no Instituto Padre Machado.
    Integra, em 1944, a equipe mineira na Olimpíada Universitária de São Paulo, como pretexto para conhecer pessoalmente Mário de Andrade. Lêem, em voz alta, os originais da novela "A Marca", que é publicada em seguida pela José Olympio Editora.
    No ano de 1945,participa da delegação mineira no Congresso Brasileiro de Escritores em São Paulo. 
Em 1947, envia crônicas de Nova York para serem publicadas aos domingos nos jornais "Diário Carioca" e "O Jornal", do Rio.Volta ao Brasil em 1948. Em 1949, escreve crônicas e artigos para diversos jornais brasileiros.  Em 1950, reúne várias delas sobre sua experiência americana no livro "A Cidade Vazia".
 Em 1956, publica o romance "O Encontro Marcado", um grande sucesso de crítica e de público, com uma média de duas edições anuais no Brasil e várias no exterior, além de adaptações teatrais no Rio e em São Paulo.
 Em 1962 publica "A Mulher do Vizinho", que recebe o Prêmio Cinaglia do Pen Club do Brasil. Seu livro "O Encontro Marcado" é publicado na Alemanha.
A convite do governo alemão, em 1971, volta à Europa. Realiza reportagem sob o título "Ballet de Márcia Haydée em Stutgart" para a revista "Manchete". Em 1979, retoma e acaba em dezoito dias de trabalho ininterrupto o romance "O Grande Mentecapto", que havia iniciado há 33 anos, um sucesso literário.
Lança o livro "O Gato Sou Eu", em 1983.
Publica os livros "Macacos Me Mordam", conto em edição infantil, com ilustrações de Apon e "A Vitória da Infância", seleção de contos e crônicas sobre crianças, em 1984. Seu livro "O Grande Mentecapto" é lançado em Lisboa.
"A Faca de Dois Gumes" é seu novo livro, em 1985. Uma das novelas é adaptada para o cinema, com o mesmo título, dirigida por Murilo Sales.  Escreve uma peça teatral, baseada em "Martini Seco", encenada no Rio de Janeiro. É condecorado com a Ordem do Rio Branco no grau de Grã-Cruz pelo governo brasileiro. Publica, no "New York Times", o artigo "The Gold Cities of Minas Gerais".
É lançado "O Tabuleiro das Damas", um esboço de autobiografia, em 1988. Escreve suas últimas crônicas para "O Globo", do qual se despede no final do ano.
Em 1989 o filme "O Grande Mentecapto" é premiado no Festival Internacional de Gramado. Em 1991, lança o livro "Zélia, Uma Paixão", em 1993, "Aqui Estamos Todos Nus", uma trilogia de novelas "de ação, fuga e suspense". No ano seguinte lança o livro "Com a Graça de Deus", Em 1995, a Editora Ática relança a seleção, revista e aumentada, de "A Vitória da Infância", com a qual Fernando Sabino reafirma sua determinação ao longo da vida inteira de preservar a criança dentro de si. Ou, como ele mesmo escreveu: "Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino".
O autor faleceu dia 11 de outubro de 2004 na cidade do Rio de Janeiro. A seu pedido, seu epitáfio é o seguinte: "Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino".



 Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no
Jornal do Brasil. Morreu no Rio de Janeiro no dia 17 de Agosto de 1987.




Paulo Mendes Campos
Paulo Mendes Campos nasceu a 28 de fevereiro de 1922, em Belo Horizonte - MG, filho do médico e escritor Mário Mendes Campos e de D. Maria José de Lima Campos. Começou seus estudos na capital mineira, prosseguiu em Cachoeira do Campo (onde o padre professor de Português lhe vaticinou: "Você ainda será escritor") e terminou em São João del Rei.
Começou os estudos de Odontologia, Veterinária e Direito, não chegando a completá-los. Seu sonho de ser aviador também não se concretizou. Diploma mesmo, gostava de brincar, só teve o de datilógrafo. Muito moço ainda, ingressou na vida literária, como integrante da geração mineira a que pertence Fernando Sabino e pertenceram os já falecidos Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, João Ettiene Filho e Murilo Rubião. Em Belo Horizonte, dirigiu o suplemento literário da Folha de Minas e trabalhou na empresa de construção civil de um tio.
Veio ao Rio de Janeiro, em 1945, para conhecer o poeta Pablo Neruda, e por aqui ficou. No Rio já se encontravam seus melhores amigos de Minas — Sabino, Otto, e Hélio Pellegrino. Passou a colaborar em O Jornal, Correio da Manhã (de que foi redator durante dois anos e meio) e Diário Carioca. Neste último, assinava a "Semana Literária" e, depois, a crônica diária "Primeiro Plano". Foi, durante muitos anos, um dos três cronistas efetivos da revista Manchete.
Admitido no IPASE, em 1947, como fiscal de obras, passou a redator daquele órgão e chegou a ser diretor da Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.
Em 1951 lança seu primeiro livro, "A palavra escrita" (poemas).
Casou-se, nesse mesmo ano, com Joan, de descendência inglesa, tendo tido dois filhos: Gabriela e Daniel.
Buscando meios de sustentar a família, Paulo Mendes Campos foi repórter e, algumas vezes, redator de publicidade
Foi, também, hábil tradutor de poesia e prosa inglesa e francesa — entre outros Júlio Verne, Oscar Wilde, John Ruskin, Shakespeare, além de Neruda, tendo enriquecido sua experiência humana em viagens à Europa e à Ásia.
Em 1962, experimentou ácido lisérgico, acompanhado por um médico.  Relatou sua experiência em artigos publicados na revista "Manchete", depois reproduzidas em "O colunista do morro" e em "Trinca de copas", seu último livro. Disse que a droga abriu "comportas" e ele se deixou invadir pelo "jorro caótico"do inconsciente até sentir o peso e a nitidez das palavras que produziam um "milagre da voz". E completava: "A comparação não presta, mas por um momento eu era uma espécie de São Francisco de Assis falando com o lobo. O lobo também sabe que amor com amor se paga".


Opnião sobre o livro
O livro Crônicas1 é muito legal por ser histórias que acontecem no dia a dia,ter uma linguagem informal e ser histórias curtas sem muitos acontecimentos e conflitos.




Curiosidade sobre Crônica

A crônica tem uma história curta do cotidiano.
 No Brasil, a crônica se consolidou por volta de 1930 e atualmente vem adquirindo uma importância maior em nossa literatura graças aos excelentes escritores que resolveram se dedicar exclusivamente a ela, como Rubem Braga e Luís Fernando Veríssimo, além dos grandes autores brasileiros, como Machado de Assis, José de Alencar e Carlos Drummond de Andrade, que também resolveram dedicar seus talentos a esse gênero.
A crônica tem vários tipos como a crônica esportiva.

Hora de dormir(Fernando Sabino):A crônica fala sobre um menino que discute com o pai, pois não quer ir dormir cedo. Seu pai diz que ele esta sendo mal criado. O pai lhe diz se eu fisesse isso com o meu pai, ele iria "descer o braço"; mas o menino continua respondendo e em uma dessas o pai se irrita e dá um tapa no rosto do filho, mesmo assim, o menino continua batendo de frente com seu pai. Chegou um momento, que o menino, se arrepende e pede desculpa ao pai, o pai o desculpa; o menino aproveitando que o pai o tinha  desculpado pede para ficar vendo televisão.

O dia da caça(Fernando Sabino):A crônica fala de dois meninos que vão caçar com o seu Chico. Chega seu Chico todo equipado, com as espingardas, gibão e seu cachorro, enche os cartuchos e lá vão eles andando pelo pasto. No caminho, foram coversando, seu Chico diz que viu um vulto dizia ser de codorna,  atiraram , mas nada acertaram e logo depois outro vulto atiraram novamente mas nada acertaram e assim foi o dia todo, nem mesmo uma codorna caçaram. Os meninos falam para desistir, mas seu Chico não quer, pois é sua honra que esta em jogo. Os meninos sentam e seu Chico vai andando sozinho e deu mais alguns tiros, mas nada de caça. Mais tarde volta seu Chico, triste pois errara até um anu, os meninos tentaram consolá-lo dizendo "um dia é da caça e outro do caçador". seu Chico foi embora e deixou a espingarda com os meninos e então os meninos viram uma ave grande, um avestruz, atiram mas também não acertaram. A noite chegou e foram para casa, foram recebidos com festa, mas sem caça para o jantar, pediram o que iria ter no jantar, falaram que era galinha, perguntaram, matou?, ele disse que nao, voltei-me para o galinheiro, mas Paulo não deixou e disse "o crime não compensa".

Aspirador(Fernando Sabino):A história fala de um menino que vai a uma loja vender uma aspirador de pó , chegando lá o homem manda o menino entrar e o menino começa a mostrar várias coisas que aquele aparelho pode fazer  e ensina também como usá-lo. O homem convencido pelo menino, compra o aspirador. Começa a tirar o pó de toda sua loja, mas quando ele vai tirar as entranhas da uma sacola, ele esquece de desligar, pois virando o aspirador ao contrário ele vira um ventilador, foi entao que ele estourou ficando tudo cheio de pó,n como era antes. Depois disso, o vendedor vai até a cozinha pega a vassoura. És pó em pó reverterás - pensou ele.

Se não me falta memória(Fernando Sabino):A crônica fala de uma senhor que tinh uma boa memória. O qual foi até um cartporio pedir ao escrivão, com todo o respeito, informações sobre um inventário, o escrivão pediu de quem, o senhor disse que tinha um boa memória apesar de ter  sofrido uma comoção cerebral. Mas conseguiu lembrar o nome da pessoa que estava procurando, falou ao escrivão, e o escrivão deu-lhe as informações.Depois de alguns minutos, o senhor volta e faz a mesma pergunta ao escrivão e ele respondeu novamente, alguns minutos depois , o senhor volta e repete a pergunta , o escrivão com toda a educação responde "esse nome não é estranho"

Macacos me mordam(Fernandon Sabino): A crônica fala de um morador do interior de Minas Gerais,contou um fato que um cientista  mandou um telegrama para outro cientista amigo seu que reside na cidade de Manaus, pedindo para providenciar remessa de 1 ou 2 macacos. Um belo dia já esquecido da encomenda, recebeu resposta: "providenciada remessa 600 restante seguirá oportunamente". Ele não entendeu  bem; o porque seu amigo não tinha entendido, e só foi entender quando o chefe da estação veio comunicar-lhe que havia chegado sua encomenda e falou-lhe: "foi preciso trem especial,  é macaco que nao acaba mais" . Depois de receber telegrafou imediatamente a seu amigo, dizendo:"pelo amor de deus suspenda a próxima remessa!". É que o telegrama havia sido transmitido errado ao invés de 1 ou 2 macacos  foi transmitido 1002. Vieram 600 macacos na primeira remessa. Ao receber a remessa telegrafou ao amigo "Pelo amor Santa Maria Virgem suspenda remessa restante". A população da cidade ficou curiosa com tantos macacos, e os macacos impacientes e famintos,aguardavam engaiolados na plataforma da rodoviária. O professor ficou apavorado com tantos macacos que foi esconder-se. O agente da estavam foi procurá-lo, mas ele não sabia o que fazer com tantos macacos,ñão tinha onde colocá-los. o chefe da estação convocou  o prefeito, o juíz, o delegado mas ninguém sabia o que fazer com os macacos, o delegado deu a idéia de fazer guizado.
Ao fim do segundo dia, o agente da estação resolveu soltar os macacos, com a macacada solta a população ficou em pânico, ninguém mais teve sossego, era macaco por todos os lugares.
No dia seguinte a situação continuava a mesma, nada mais funcionava como antes na cidade. Com o passar dos dias eles foram escasseando, uns de fome, uns caçados, uns fugiram, uns comidos, guizado como o delegado sugeriu. O Professor não usou nenhum para experiência. Ficou doente e nao colocou mais os pés na rua. Depois de alguns dias a cidade já em paz, o prefessor recebe outro telegrama do amigo de Manaus " seguiu resto da encomenda". Mão teve dúvidas, mesmo doente abandonou a cidade e nunca mais se ouviu falor do professor.



 Menina no jardim:            Em seus 14 meses de permanência neste mundo, a garotinha não tinha tomado o menor conhecimento das leis que governam a nação. Isso se deu agora na praça, logo na chamada República Livre de Ipanema.
Até ontem ela se comprazia em brincar com a terra. Hoje, de repente, deu-lhe um tédio enorme do barro de que somos feitos: atirou o punhado de pó ao chão, ergueu o rosto, ficou pensativa, investigando com ar aborrecido o mundo exterior. Por um momento seus olhos buscaram o jardim à procura de qualquer novidade. E aí ela descobriu o verde extraordinário: a grama. Determinada, levantou-se do chão e correu para a relva, que era, vá lá, bonita, mas já bastante chamuscada pela estiagem.
Não durou mais que três minutos seu deslumbramento. Da esquina, um senhor de bigodes, representante dos Poderes da República, marchou até ela, buscando convencê-la de que estava desrespeitando uma lei nacional, um regulamento estadual, uma postura municipal, ela ia lá saber o quê.
Diga-se, em nome da verdade, que no diálogo que se travou em seguida, maior violência se registrou por parte da infratora do que por parte da Lei, um guarda civil feio, mas invulgarmente urbano.
- Desce da grama, garotinha - disse a Lei.
- Blá blé bli bá - protestou a garotinha.
- É proibido pisar na grama - explicou o guarda.
- Bá bá bá - retrucou a garotinha com veemência.
- Vamos, desce, vem para a sombra, que é melhor.
- Buh buh - afirmou a garotinha, com toda razão, pois o sol estava mais agradável do que a sombra.
A insubmissão da garotinha atingiu o clímax quando o guarda estendeu-lhe a mão com a intenção de ajudá-la a abandonar o gramado. A gentileza foi revidada com um safanão. “Dura lex sed lex”.
- Onde está sua mamãe?
A garotinha virou as costas ao guarda com desprezo. A essa altura levantou-se do banco, de onde assistia à cena, o pai da garota, que a reconduziu sob chorosos protestos à terra seca dos homens, ao mundo sem relva que o Estado faculta ao ir e vir dos cidadãos.
A própria Lei, meio encabulada com o seu rigor, tudo fez para que o pai da garotinha se persuadisse de que, se não há mal para que uma brasileira tão pequenininha pise na grama, isso de qualquer forma poderia ser um péssimo exemplo para os brasileiros maiores.
- Aberto o precedente os outros fariam o mesmo - disse o guarda com imponência.
- Que fizessem, deveriam fazê-lo - disse o pai.
- Como? - perguntou o guarda confuso e vexado.
- A grama só podia ter sido feita, por Deus ou pelo Estado, para ser pisada. Não há sentido em uma relva na qual não se pode pisar.
- Mas isso estraga a grama, cavalheiro!
- E daí? Que tem isso?
- Se a grama morrer, ninguém mais pode ver ela - raciocinou a Lei.
- E o senhor deixa de matar a sua galinha só porque o senhor não pode mais ver ela?
O guarda ficou perplexo e mudo. O pai, indignado, chegou à peroração:
- É evidente que a relva só pode ter sido feita para ser pisada. Se morre, é porque não cuidam dela. Ou porque não presta. Que morra. Que seja plantado em nossos parques o bom capim do trópico. Ou que não se plante nada. Que se aumente pelo menos o pouco espaço dos nossos poucos jardins. O que é preciso plantar, seu guarda, é uma semente de bom-senso nos sujeitos que fazem os regulamentos.
- Buh bah - concordou a menina, correndo em disparada para a grama.
- O senhor entende o que ela diz? - perguntou o guarda.
- Claro - respondeu o pai.
- Que foi que ela disse agora?
- Não a leve a mal, mas ela mandou o regulamento para o diabo que o carregue.                                                                                                               
A cesta:

Quando a cesta chegou, o dono não estava. Embevecida, a mulher recebeu o presente. Procurou logo o cartão, leu a dedicatória destinada ao marido, uma frase ao mesmo tempo amável e respeitosa.
Quem seria? Que amigo seria aquele que estimava tanto o marido dela? Aquela cesta, sem dúvida nenhuma, mesmo a uma olhada de relance custava um dinheirão. Como é que ela nunca tivera notícia daquele nome? Ricos presentes só as pessoas ricas recebem. Eles eram remediados, viviam de salários, sempre inferiores ao custo das coisas. Sim, o marido, com o protesto dela, gostava de bons vinhos e boa mesa, mas isso com o sacrifício das verbas reservadas a outras utilidades.
De qualquer forma, aquela cesta monumental chegava em cima da hora. E se fosse engano? Não infelizmente o nome e o sobrenome do marido estavam escritos com toda a clareza e o endereço estava certo.
Alvoraçada examinou uma a uma as peças envoltas em flores e serpentinas de papel colorido. Garrafas de uísque escocês, champanha francês, conhaque, vinhos europeus, patê, licores, caviar, salmão, champignon, uma lata de caranguejos japoneses... Tudo do melhor. Mulher prudente, surripiou umas garrafas e escondeu-as nas gavetas femininas do armário. Como conhecia de sobra a generosidade do marido: à vista daquela cesta farta, iria convidar todo o mundo para um devastador banquete. Isto não tinha nem conversa, era tão certo quanto dois e dois são quatro. Mas quem seria o amigo? Esperou o regresso do marido, morrendo de curiosidade.
E ei-lo que chega, ao cair da noite, cansado, sobraçando duas garrafas no Brasil, um modesto embrulho de salgadinhos. Caiu das nuvens ao deparar com a gigantesca cesta. Pálido de espanto, não tanto pelo valor material do presente (era um sentimental), mas pelo valor afetivo que o mesmo significava, começou a ler o cartão que a mulher lhe estendia. Houve um longo minuto de densa expectativa, quando, terminada a leitura, ele enrugou a testa e se concentrou no esforço de recordar. A mulher perguntava aflita:
- Quem é?
Mais da metade da esperança dela desabou com a desolada resposta:
- Esta cesta não é para mim.
- Como assim? Você anda ultimamente precisando de fósforo.
- Não é minha.
- Mas olhe o endereço: é o nosso ! O nome é o seu.
- O meu nome não é só meu. Há um banqueiro que tem o nome igualzinho. Está na cara que isto é cesta pra banqueiro.
- Mas, o endereço?
- Deve ter sido procurado na lista telefônica.
Ela não queria, nem podia, acreditar na possibilidade do equívoco.
- Mas faça um esforço.
- Não conheço quem mandou a cesta.
- Talvez um amigo que você não vê há muito tempo.
- Não adianta.
- Você não teve um colega que era muito rico?
- O nome dele é completamente diferente. E ficou pobre!
- Pense um pouco mais, meu bem.
Novo esforço foi feito, mas a recordação não veio. Ela apelou para a hipótese de um administrador. Afinal, ele era um grande escritor, autor de um romance que fizera sucesso e de um livro para crianças, que comovera leitores grandes e pequenos.
- Um fã, quem sabe é um fã?
- Mulher, deixa de bobagens... Que fã coisa nenhuma!
- Pode ser sim! Você é muito querido pelos leitores.
A idéia o afagou. Bem, era possível. Mas, em hipótese nenhuma, ficaria com aquela cesta, caso não estivesse absolutamente certo de que o presente lhe pertencia.
- Sou um homem de bem!
Era um homem de bem. Pegou o catálogo, procurou o telefone do homônimo banqueiro, falou diretamente com ele depois de alguma demora: não é muito fácil um desconhecido falar a um banqueiro.
Aí, a mulher ouviu com os olhos arregalados e marejados:
- Pode mandar buscar a cesta imediatamente. O senhor queira desculpar se minha mulher desarrumou um pouco a decoração. Mas não falta nada.
A mulher foi lá dentro, quase chorando, e voltou com duas garrafas nas mãos.
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- Eu já tinha escondido estas.
- Você é de morte. Coloque as garrafas na cesta.
Vinte minutos depois, um carro enorme parava à porta, subindo um motorista de uniforme. A cesta engalanada cruzou a rua e sumiu dentro do automóvel. Ele sorria, filosoficamente. Dos olhos da mulher já agora corriam lágrimas francas.
Quando o carro desapareceu na esquina, ele passou o braço em torno do pescoço da mulher:
- Que papelão, meu bem! Você ficou olhando para aquela cesta como se estivesse assistindo à saída de meu enterro.
E ela, passando um lenço nos olhos:
- Às vezes é duro ser casada com um homem de bem.
OS BONS LADROES:
Morando sozinha e indo à cidade em um dia de festa, uma senhora de Ipanema teve a sua bolsa roubada, com todas as suas jóias dentro. No dia seguinte, desesperada de qualquer eficiência policial, recebeu um telefonema:
- É a senhora de quem roubaram a bolsa ontem?
- Sim.
- Aqui é o ladrão, minha senhora.
- Mas como o... o senhor descobriu o meu número?
- Pela carteira de identidade e pela lista.
- Ah, é verdade. E quanto quer para devolver os meus objetos?
- Não quero nada, madame. O caso é que sou um homem casado.
- Pelo fato de ser casado, não precisa andar roubando. Onde estão as minhas jóias, seu sujeito ordinário?
- Vamos com calma, madame. Quero dizer que só ontem, por um descuido meu, minha mulher descobriu quem eu sou realmente. A senhora não imagina o meu drama.
- Escute uma coisa, eu não estou para ouvir graçolas de um ladrão muito descarado...
- Não é graçola, madame. O caso é que adoro minha mulher.
- E por que o senhor está me contando isso? O que me interessa são as jóias e a carteira de identidade (dá um trabalho danado tirar outra), e não tenho nada com a sua vida particular. Quero o que é meu.
- Claro, madame, claro. Estou lhe telefonando por isso. Imagine a senhora que minha mulher falou que me deixa imediatamente se eu não me regenerar...
- Coitada! Ir numa conversa dessas.
- Pois eu prometi nunca mais roubar em minha vida.
- E ela bancou a pateta de acreditar?
- Acho que não. Mas, o que eu prometo, eu cumpro; sou um homem de palavra.
- Um ladrão de palavra, essa é fina. As minhas jóias naturalmente o senhor já vendeu.
- Absolutamente, estão em meu poder.
- E quanto quer por elas? Diga logo.
- Não vendo, madame, quero devolvê-las. Infelizmente, minha mulher disse que só acreditaria em minha regeneração se eu lhe devolvesse as jóias. Depois ela vai lhe telefonar para checar.
- Pois fique sabendo que eu estou gostando muito de sua senhora. Pena uma pessoa de tanto caráter estar casada com um... homem fora da lei.
- É também o que eu acho. Mas gosto tanto dela que estou disposto a qualquer sacríficio.
- Meus parabéns. O senhor vai trazer-me as jóias aqui?
- Isso nunca. A senhora podia fazer uma suja.
- Uma o quê?
- A senhora, com o perdão da palavra, podia chamar a polícia.
- Prometo que não chamo, não por sua causa, por causa de sua senhora.
- Vai me desculpar madame, mas nessa eu não vou.
- Também sou uma mulher de palavra.
- O caso madame, é que nós, os desonestos, não acreditamos na palavra dos honestos.
- Tá. Mas como o senhor pretende fazer então?
- Estou bolando um jeito de lhe mandar as jóias sem perigo para mim e sem que outro ladrão possa roubá-las. A senhora não tem uma idéia?
- O senhor entende mais disso do que eu.
- É verdade. Tenho um plano: eu lhe mando umas flores com as jóias dentro dum pequeno embrulho.
- Não seria melhor eu encontrá-lo numa esquina?
- Negativo! Tenho meu pudor, madame.
- Mas não há perigo de mandar algo de tanto valor para uma casa de flores?
- Não. Vou seguir o entregador a uma certa distância.
- Então, vou ficar esperando. Não se esqueça da carteira.
- Dentro de vinte minutos está tudo aí.
- Sendo assim, muito agradecida e lembranças para sua senhora.
Dentro do prazo marcado, um menino confirmava, que em certas ocasiões, até os ladrões mandam flores e jóias.

CONTINHO: 
 Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho, do sertao de Pernambuco. Na soalheira danada do meio-dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um gordo vigario a  cavalo:
-Voce ai, menino, para onde vai essa estrada?
-Ela nao vai nao: nos e que vamos nela.
-Engracadinho duma figa! Como voce se chama?
-Eu nao me chamo nao, os outros e que me chamam de Ze.

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